domingo, 23 de agosto de 2009

QUAL A DIFERENÇA ENTRE O ARQUITETO E O ENGENHEIRO?

Essa é uma pergunta que escuto com frequência, principalmente por parte de amigos e parentes..
Percebi que é praticamente uma dúvida universal.... hahaha
A famosa pergunta que não quer calar!

Então, vamos logo desvendar esse mistério! =)

ARQUITETURA e ENGENHARIA CIVIL são áreas afins e complementares.

Uma obra bem executada depende do trabalho consciente desses dois profissionais. O ARQUITETO é o profissional responsável em elaborar o projeto. Ele tem contato direto com o cliente, compreende suas necessidades a partir de muita conversa e muita observação. Durante as visitas o ARQUITETO não apenas escuta o que o cliente tem a dizer, mas observa seu modo de viver, suas preferências, seu comportamento, seu relacionamento com a família (se o projeto for residencial) ou com seus funcionários (se o projeto for comercial). Muitas vezes a partir dessas observações percebemos necessidades do projeto que nem mesmo o cliente se deu conta.

A partir da coleta dessas informações iniciais, o ARQUITETO inicia uma segunda avaliação: a área onde será executada a obra (o terreno onde será a connstrução, a casa que será reformada ou ampliada, o escritório que será modificado, a empresa que precisa de reorganização de espaços, etc.).

No projeto arquitetônico são realizados vários estudos para a concepção da edificação: estudo da ação do sol, para proteger alguns ambientes ou para aproveitar ao máximo em outros; estudo dos ventos, para aproveitar melhor a ventilação natural, deixando os ambientes termicamente mais confortáveis; e vários outros estudos visando a qualidade dos espaçoes criados.

O ARQUITETO não trabalha livremente. Toda construção precisa ter autorização de órgãos públicos. O principal é a Prefeitura Municipal, mas em alguns casos a obra também precisa ter licença da Vigilância Sanitária e do Corpo de Bombeiros (estabelecimentos de saúde_ hospitais, clínicas,laboratórios_; locais de reunião ou aglomeração de pessoas _academias, teatros, cinemas...). Para conseguir essa autorização dos órgãos públicos o ARQUITETO tem a obrigação de elaborar os projetos seguindo normas e leis. São ao legislações urbanísticas (federais, estaduais e municipais), sanitárias, de segurança contra incêndio e pânico, de meio ambiente, etc. Elaborar o projeto seguindo as necessidades do clinte e as exigências dos órgãos públicos é um trabalho bastante exaustivo. Com o projeto elaborado e autorizado pelo órgãos competentes a obra pode ser iniciada.

Agora você deve estar se perguntando: Mas e o ENGENHEIRO, o que ele faz? Até agora só se falou no trabalho do ARQUITETO! Pois bem, vamos lá !

O ENGENHEIRO é o profissional responsável em detalhar algumas partes do projeto. A estrutura é a principal delas. A partir do projeto elaborado pelo ARQUITETO, o ENGENHEIRO faz uma proposta para a execução da estrutura (localização e dimensões de pilares, vigas, lajes, fundação, e outros elementos relacionados a estrutura). Cabe ao ARQUITETO analisar o projeto de estrutura para propor alterações que possam harmonizar a estrutura ao projeto arquitetônico (mudar a posição de pilar, rever dimensões de vigas, etc).O ENGENHEIRO então, avalia as alterações solicitadas pelo ARQUITETO e determina se as mesmas podem ou não ser realizadas.

É um trabalho conjunto. O ARQUITETO e o ENGENHEIRO precisam ter grande afinidade para que o projeto atinja uma alta qualidade de elaboração.

Além da estrutura, o ENGENHEIRO também detalha sistemas elétricos, rede hidrossanitária, e outros projetos complementares, seguindo o projeto arquitetônico.

O acompanhamento da obra pode ser realizado pelo ARQUITETO ou pelo ENGENHEIRO. Como o ARQUITETO fica responsável em analisar a compatibilização dos projetos complementares ao projeto arquitetônico, muitas vezes é o ENGENHEIRO que fica na obra, organizando a mão-de-obra, a divisão das tarefas, recebendo os materiais dos fornecedores, etc.

Havendo problemas, o ENGENHEIRO solicita a presença do ARQUITETO na obra para juntos resolverem as pendências e os eventuais problemas.

Ambos os profissionais são essenciais! O trabalho de ambos é fundamental! É a afinidade e a sincronia do trabalho do ARQUITETO e do ENGENHEIRO que permite a conclusão de uma obra com qualidade e principalmente econômica.

CONTRATE UM ARQUITETO E UM ENGENHEIRO! Você perceberá as vantagens de contar com o apoio de dois profissionais especializados, preparados para atender suas necessidades da melhor forma possível!

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Museu da Imagem e do Som (MIS)

Vou dedicar meu primeiro post a bomba da semana : Concurso de Idéias (promovido pelo Governo em parceria com a Fundação Roberto Marinho, tinha que ser né..) para escolher o projeto arquitetônico da nova sede do Museu da Imagem e do Som (MIS).

Segundo o portal do Governo do Rio de Janeiro, o concurso '' tem como um de seus objetivos tornar o MIS um ícone arquitetônico, de projeção nacional e internacional, para a cidade do Rio de Janeiro. O Museu será construído em um dos endereços mais importantes da cidade – a Av. Atlântica, em Copacabana – e deve se tornar o Museu da identidade carioca, caracterizada pela produção artística''. Ainda segundo o Governo, “o novo MIS será – além de um centro de memória, conservação e estudos já consagrado – um Museu de fato. Seu acervo será exibido de forma moderna, fazendo uso de novas mídias e da mais alta tecnologia, e interativa, com a intenção de encantar seus visitantes”. (OBS: encantar turistas?? me poupe..)

O escritório de arquitetura americano Diller Scofidio + Renfro foi o vencedor do concurso, e seu projeto (escancaradamente releitura do Museum of Art and Technology em Nova Iorque), SEGUNDO O JÚRI, se adequa com primor no contexto da cidade carioca, principalmente por seus rampas/jardins/terraços/brises/mirante, elemento que marca o percurso no museu, e, pela transparência, que devem proporcionar vistas fantásticas, apesar de uma certa introspecção que um museu “exige” e está orçado em simbólicos 65 milhões de reais, é mole ou quer mais?

Agora, vamos combinar, numa época em que tanto se fala de participação da sociedade nas políticas urbanas, muito me surpreende que este projeto vá ser colocado em prática. Como cidadã me revolto em ver que R$ 65 milhões de reais serão gastos (mais uma vez..) em um projeto que está fadado ao fracasso, assim como a Cidade da Música de Portzamparc, também aqui no Rio de Janeiro. Como universitária e futura profissional a minha revolta é perceber que a Arquitetura é usada como um instrumento de ilusão e demagogia, se afastando cada vez mais de sua principal função: a de servir como instrumento de progresso e bem-estar social.